Tem coisa mais chata que domingo?...

... Ainda mais aqui nessa minha versão candanga da (antiga) Sulacap, e ainda mais nesse domingo maluco pelo qual desfilaram todas as estações do ano. Literalmente, acordei no verão e agora estou em pleno inverno, olhando aqui pela porta da sala as luzes dos postes borradas pela neblina.

Coisa estranha... Acordei até animado, com aquele sol de oito horas da manhã batendo na minha cara. Desci, fiz um café, tirei o equipamento do carro (toquei ontem), guardei tudo e pensei: "pô, vou dar uma volta de moto. De repente filar o almoço na casa de alguém".

Só que "alguém" pra filar o almoço, num domingo em Brasília, geralmente se resume a três possibilidades: o Souza, o Chip ou a Janine. Descartei logo a primeira e a última opção. Essa coisa de cara "solteiro" se meter em almoço familiar de domingo ainda faz a luzinha vermelha do meu simancol acender. E, por outro lado, o Chip, como todo bom apaixonado, também não anda tão disponível assim...

Bem... vamos subir na moto de qualquer jeito, né? De repente amarrar um capacete extra no banco de trás. E aí me toquei que essa operação se tornou bem mais complicada depois que eu virei egoísta e tirei o sissy-bar... Ok. Opção 2 descartada. Não vou sair de casa, sentar num boteco do Riacho Fundo, ligar pra telefonista e chamá-la pra tomar uma cerveja e dar uma volta de moto. Depois de uma ou outra propaganda na televisão me perguntando por que eu não ia fazer isso, entramos no outono...

Uma das minhas plantas, a Suzane, acreditou e derrubou sua última folha, enquanto as nuvens negras começavam a se acumular. Beleza!... Meu longo passeio de moto foi pro caralho. Que tal fazer um curtinho, então? Finalmente subo na moto, já sem capacete nenhum, só com uma bandana amarrada na cabeça. Quem sabe, de repente, na casa do Karlitos está rolando um churrasco? Um daqueles onde vão ressuscitar algum violão velho e me pedir pra tocar?... Faço um doce, toco (mal e mal, dadas as condições do violão velho) as mesmas três músicas e pelo menos arrumo uma carninha pra mastigar e umas cervejas pra passar o tempo.

Doce ilusão... A casa do Karlitos está mais fechada do que a minha nunca esteve, como comprova a cerca eletrificada. Dele, é claro. Onze horas da manhã e meu organismo está pedindo insistentemente por aquelas cervejas que eu não tomei ontem, já que eu estava tocando. Ok... só existe um rumo possível, se eu quiser me manter longe da confraria dos "bêbados conhecidos": padaria!

Chego na padaria com a firme determinação de tomar uma latinha, comprar outras três e alguma coisa congelada pra almoçar. Faço o mesmo ritual de sempre de parar a moto: num local e posição onde eu possa ficar admirando os seus cromados. Afinal, nenhum cara da minha idade tem moto custom e tatuagens a não ser pra chamar a atenção, não é mesmo?

A dúvida sobre a estação do ano em que nos encontramos surge cinco minutos depois. O céu desaba!... Poderia ser chuva de verão se eu não começasse a sentir frio. E se a rua não virasse um rio - ou uma cachoeira, já que se trata de uma ladeira - por duas horas seguidas. Evidentemente, a minha "uma latinha" se transforma em quatro, enquanto me dedico ao doce passatempo de ver a chuva lavar a moto e pensar se o controle do portão vai funcionar depois de toda aquela água.

Funcionou... Consegui até chegar em casa. Lazanha congelada no microondas e João Bosco no DVD. Ótimas companhias, afinal. Aumento o som e invejo performances que não sei se poderia igualar. O estúpido temporal de verão virou uma chuvinha chata que não para. Hora de ir tirar um cochilo.

A Discovery e o History Channel me dizem que eu não posso viver sem o incrível Juicer Phillips-Wallita, ou o Jumbo do George Foremam - deuses me livrem saber o que é isso! - ou a coisa que passa roupa no cabide. Acharam o chupacabras em Porto Rico e uma espécie de lobisomem no Texas. Tem uns monstros jurássicos que vão pular da TV mais tarde e é melhor eu sair de casa antes disso.

Mas... sair pra onde mesmo?... Não para de chover, que saco!...Vou ali no Gilmar tomar uma cerveja. Posso ligar pra alguém, também, mas o nevoeiro está baixando e ninguém vai atender. Ninguém atendeu. E eu não gosto muito de ser um espécime em observação: o "cantor" sentado sozinho numa mesa, tomando uma cerveja enquanto as pessoas se perguntam se o próximo show vai ser na sexta ou no sábado.

Casa. Inverno instalado. Espero que os monstros stephenkinganos não saiam da névoa, já que eu não estou com saco de ir procurar onde está a pistola. Joss Stone e Diana Krall na vitrola. Putz!... eu escrevi isso???... "Vitrola"????... Bem, se levarmos em consideração a idade do meu CD-Player aqui da sala, é quase isso mesmo. Ele era velho antes da Joss Stone nascer, provavelmente.

Ah, cansei... Vou dormir. Amanhã é segunda e mesmo sem querer eu vou me encontrar com a telefonista.


Postado em 08/02/2009 às 22:38      1 comentário

 

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