Hoje eu acordei com 45 anos...

Não que eu não os tenha, mas apenas não sentia. Mas hoje, quando eu acordei, as linhas na minha testa estavam todas lá, bem como os pés de galinha, os cabelos brancos, as pequenas manchas na pele dos meus braços e mãos, as eternas olheiras e os olhos injetados. A gordura que teima em se acumular em minha cintura, apesar de minhas corridas e caminhadas, também estava. E sobretudo estava presente aquele cansaço imenso de quem já tomou suas porradas por quase meio século. E, é claro, deu algumas, também...

Hoje eu acordei assim mais velho ao perceber que meus valores - coisas como amizade, respeito, consideração - não conseguem ser entendidos por algumas pessoas mais novas. Ao ter consciência que algumas das coisas que eu mais prezava eram, na verdade, desprezíveis. Ao me sentir - como dizia precocemente Raul - um "grandessíssimo idiota", por acreditar, como fazem tão bem os velhos, na honestidade das pessoas.

Hoje eu acordei com 45 anos. Talvez eu deva agradecer às pessoas que fizeram com que eu me sentisse assim. Afinal, devemos ter consciência de quem somos. Vou dormir com 45 anos e meus sonhos não são mais meus. Pelo menos isso de bom o dia teve: sou pai de um universitário. Agora posso sonhar com ele.


Postado em 16/02/2009 às 18:46      2 comentários

 

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