O padre deputado e a intolerância da Igreja

Na última quarta-feira, dia 25/02, o deputado federal petista pela Paraíba, Luiz Couto, concedeu entrevista ao Jornal O Norte, onde reafirmou suas posições favoráveis ao uso de preservativos, contra a discriminação de homossexuais e contra o celibato do clero católico. Nada de mais, se o referido deputado não fosse... padre.

A reação da Igreja não tardou. No mesmo dia, uma nota oficial divulgada pela Arquidiocese da Paraíba, assinada pelo Arcebisbo Dom Aldo Pagotto, suspendia o Padre Luiz Couto de suas funções sacerdotais, exigindo ainda a sua retratação pública.

O que vemos nesse episódio? De um lado, um padre afinado com as expectativas dos fiéis e com a realidade dos dias atuais, cujo trabalho e popularidade lhe renderam, inclusive, votos suficientes para representar em nosso Congresso as comunidades que, certamente, lhe consideram um líder espiritual. De outro, a velha intolerância que emana dos altos escalões da Igreja Católica, exigindo a obediência cega, fomentando a discriminação contra as minorias e pouco se importando em rever seus dogmas diante de realidades indiscutíveis.

O Padre Luiz Couto me parece ser um homem de fé. Ele deve acreditar naquilo que leu nos Evangelhos. Nesse caso, pouco importa a minha própria opinião sobre as religiões, mas a verdade é que, no cerne do cristianismo, existe a mensagem de igualdade, de amor, de preocupação com o próximo. Em lugar algum das minhas leituras, encontrei referências a Jesus discriminando pessoas pela sua condição social ou sexual, incentivando hábitos que poderiam propagar epidemias letais ou exortando seus apóstolos e discípulos a se absterem do casamento.

Por outro lado, compreendo os fatores que levaram, ao longo dos séculos em que se firmou como o maior poder na história da humanidade, a Igreja Católica esquecer a mensagem de seu ícone máximo e preferir criar interpretações que garantiram seu poderio. Se o tempo do poder ilimitado e das atrocidades passou, no entanto, parece claro que não passou o das perseguições.

O exemplo do deputado Padre Luiz Couto é clássico. Homem do seu tempo e consciente de suas responsabilidades como líder espiritual, suas afirmações vão ao encontro do que seus eleitores esperam da fé que abraçaram. Infelizmente, a instituição que supõe ser a dona do monopólio desta fé - a Igreja Católica - é indiferente ao nosso tempo e valoriza apenas os dogmas que a sustentam, não a mensagem que a inspirou.


Postado em 27/02/2009 às 19:08      0 comentários

 

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