Putz!... Perdemos Clodovil!

E é, sim, uma grande perda!... O Brasil tem carência de personagens verdadeiramente polêmicos, pessoas cuja altivez da personalidade ultrapassem os limites mesquinhos do politicamente correto e que não se envergonhem de dizer a verdade, mesmo quando ela for algo bastante doloroso.

Como historiador, me cansei tanto de ouvir falar de coisas como "Águias de Haia", como de coisas como "Asas de Águia". Respeitadas as devidas proporções, são todos lugares-comuns, indulgências do cotidiano que tanto a Velha República quanto as novas novelas tentavam nos impingir. Clodovil, como Gabeira ou mesmo o velho Sergei (com quem tive o prazer de tocar), mantinham em si o espírito da polêmica viva e atuante, no qual as "papas na língua", bem como Papa algum, não tinham lugar. Aliás, indo além, o espirito no qual a política é o exercício pleno da polêmica, por exigir que os povos pensem. E povos que pensaram, caros amigos, fizeram coisas como 1789 e decapitaram alguns reis.

Essa capacidade de polêmica, que deveria ser cultivada por todos, foi a marca de Clodovil, pois é a marca da inteligência. Em 2007, ao ser questionado por uma colega deputada pela sua declaração sobre a atual futilidade das mulheres (de uma forma geral, é claro), que supervalorizam plásticas e silicones, ele respondeu: "digamos que uma moça bonita se ofendesse porque ela pode se prostituir. Não é o seu caso. A senhora é uma mulher feia".

Duro?... Sem dúvida. Mas a verdade é dura. E precisamos mais de homens (e mulheres) que falem a verdade, do que daqueles que a enfeitem com falsas premissas. Às cabeças pensantes, Clodovil fará mais falta do que Dilmas, barbudos ou barbudinhos. Se tivéssemos mais homens como Clodovil, certamente não teríamos - apenas como exemplo - tanto preconceito contra minorias sexuais, e teríamos muito mais exemplos para que a nossa juventude cultivasse o bom gosto, a inteligência crítica e a civilidade.

Mas... infelizmente... no nosso país, os sinônimos de inteligência ainda são referendados por padrões Globais, que terminam nos fins de noite com beijos gordos ou nos fins de domingo com videocassetadas...


Postado em 17/03/2009 às 23:04      7 comentários

 

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