"Mudanças nunca mais" ou "mudanças sempre mais"?

Cada vez mais eu me convenço que "nunca" e "sempre" são advérbios que precisam ser usados com muita parcimônia. Ambos denotam um período de tempo longo demais até mesmo para mim, que em minhas aulas passeio comodamente pelos séculos. De qualquer maneira, se for para escolher, ainda prefiro o "sempre" ao "nunca", ainda que a frase "sempre é tempo demais" já me tenha sido dita e posteriormente confirmada...

Mas, oswaldomontenegromente falando, não era disso que eu queria falar. Era de outra frase, que eu ouvi quando ainda estava no olho do furação, semana retrasada, em meio a móveis desmontados e não sei quantas caixas lotadas. Em resposta à minha afirmação de que eu não queria nunca mais me mudar, ouvi que "a vida de quem mora de aluguel é assim mesmo".

Agora, com tudo nos seus devidos lugares, fica certamente mais fácil pensar sobre essa frase, e até gostar dela. Não tenho nada de comunista. Afinal, o exemplo da Coréia do Norte está aí para provar que essa ideologia, no fundo, significa levar ferro enquanto se solta foguetes. Mas essa coisa de propriedade é realmente um pouco assustadora. Proprietários costumam se acomodar e engordar, enquanto, por falta de atividade, pensam na próxima reforma.

Eu, pelo meu lado, já venho alugando essa vida há 45 anos, e ela tem sido repleta de constantes mudanças, esperadas ou inesperadas. Deve ser por isso que eu me conservo com essa minha carinha e esse meu corpinho de 44. No fundo, todas essas minhas mudanças - e não apenas de moradia - acabaram me trazendo algumas dores de cabeça, mas trouxeram muitas alegrias e, no geral, foram sempre mudanças para melhor. Como diria meu amigo Rick, a vida continua divertida... Acho que vou deixar para tomar posse de coisas mais perenes quando eu também estiver mais imóvel, e nem tudo seja mais divertido assim.


Postado em 28/05/2009 às 00:01      1 comentário

 

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