Adesivos inconclusivos V

Esse é dos mais inconclusivos que eu já vi, e olha que não estava nem pregado no vidro de um dos inúmeros carros caindo aos pedaços que pertencem à frota de ferro-velho do "senhor Jesus". Pelo contrário: estava estampado em letras garrafais no vidro traseiro de um Bora novinho!

"Eu tenho a marca da promessa"

Não sei por que, mas a minha primeira impressão a respeito dessa frase insólita foi algo meio sado-masoquista... Tipo: "pode bater, mas promete que não me deixa marcada(o)". Ou: "promete que não vai doer?". Ou qualquer dessas promessas que acabam não se cumprindo e deixando marcas...

Em seguida pensei em algo mais estapafúrdio, e quis até conferir, mas o congestionamento não permitiu. O condutor do belo veículo à minha frente poderia ser um boi, ostentando a ferro e fogo em uma de suas ancas a marca da Fazenda Promessa. Abandonei a idéia quando o trânsito começou a fluir, já que, diante de tantos burros ao volante, não me senti preparado para me deparar com algo parecido com um Minotauro domesticado.

Mas depois me passou pela cabeça outra coisa, mais dentro do contexto (espero). Lembrei de outro adesivo, muito mais comum e também bastante incompreensível - "Deus é fiel" - e comecei a montar a historinha. História plausível, até...

Levando em consideração que a fidelidade é uma qualidade normalmente atribuída aos cães, em relação aos homens, o dono do carro poderia ter ganhado um pitbull, um rottweiller, ou coisa que o valha (talvez chamado "Deus"), com a promessa que o bicho era mansinho, fiel... A primeira mordida forte, no entanto, comprovou que a promessa era vã, e deixou uma cicatriz, uma marca.

Suponho que a frase, levando em consideração o tamanho das letras no vidro traseiro do carro era, portanto, uma advertência: não acredite em promessas sobre (ou de) bichos supostamente fiéis. Você pode sair marcado.


Postado em 03/09/2009 às 23:34      1 comentário

 

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