Adesivos inconclusivos VI

Esse é daqueles que nos fazem filosofar (ou quase):

"Deus sem você continua sendo Deus. E você sem Deus?"

Vi isso num carro e pensei imediatamente na resposta: continuo sendo eu, oras!... Posso até tentar - sem dúvida com alguma dificuldade - me colocar numa posição de ser criado, de criatura e, assim, de admitir algum tipo de criador. Mas, sinceramente? Todas as vantagem estão com a criatura, não com o criador.

Coloquemos as coisas da seguinte forma: digamos que eu faça um desenho, ou uma música, como tantos que já fiz. A partir do momento do "está pronto", essa coisa criada adquire personalidade própria, e completamente independente da minha. Ela existe independentemente de mim.

Alguém aí conheceu Michelangelo, ou Da Vinci, ou Júlio Verne? Mas o teto da Capela Sixtina, a Monalisa ou a "Viagem ao Centro da Terra" todos conhecem, mesmo não sabendo quem foram os autores. Aquelas esculturas lá em Congonhas, e várias outras semelhantes em Minas Gerais, muita gente já viu... Mas ninguém sabe direito até hoje quem foi o tal do Aleijadinho, a quem elas são atribuídas. Essas obras existem, sem dúvida. Mas o seu criador, existe ou existiu?

Portanto, mesmo que houvesse o tal do Deus (esse deus corpóreo e bastante incompetente), ele só seria Deus enquanto lembrassem dele, não é mesmo? E se todos lhe esquecessem? Ele existiria? Certamente não.

Logo, a lógica do adesivo é completamente invertida. Eu sem Deus continuo sendo Eu. Deus sem ter quem acredite nele é simplesmente algo que nunca existiu.


Postado em 21/11/2010 às 22:19      2 comentários

 

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