O estranho deus do futebol

Época de final de campeonato brasileiro, final disso, final daquilo... aquela coisa bem final de ano. E as cenas, que já não são incomuns, multiplicam-se nos nossos repetitivos canais de televisão: o cara entra e se benze, sai e se benze, antes do início levanta as mãos pro céu e ora, e assim por diante...

Não. Não estou falando de alguma cerimônia religiosa. Estou falando mesmo é de jogo de futebol. Cheguei à conclusão que jogadores de futebol são os seres humanos mais religiosos do mundo, mas que possuem um deus só deles. Um deus esquisitíssimo, aliás, que com toda a onipotência à sua disposição, escolhe interferir em resultados de partidas de, digamos, Ipatinga X Figueirense...

Falando sério... Eu até acho bacaninha essas demonstrações públicas de fé. Elas geralmente partem da premissa que deus é um velhinho - portanto surdo e bastante míope. Além disso, mora lá longe - lá no céu. Logo, é necessário um estardalhaço sem tamanho para que ele nos veja e ouça. Levando em consideração o deus do Antigo Testamento, que era extremamente esporrento, existe até uma certa coerência. Já que sua divindade se fazia notar pela extrema necessidade de atenção e pela imensa vontade de aparecer, carismáticos e pentecostais estão seguindo o exemplo. Bem como jogadores de futebol.

Mas o estranho deus do futebol não deve ser aquele deus do Antigo Testamento... Aquele era uma divindade tribal, que pilotava carruagens de fogo e protegia seu povo escolhido. Este ouve pagode e dirige uma Grand Cherokee, além de ser extremamente multifacetado e volúvel: protege igualmente a tribo dos Figueirenses como a dos Ipatinguenses, dependendo de quem faça o primeiro gol. Ou do boboca que ache com mais convicção que, antes, durante ou depois da partida, algum ser supremo vai, com tanta merda que ocorre no mundo, estar preocupado com jogo de futebol.


Postado em 04/12/2008 às 23:38      0 comentários

 

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